Com música melancólica e penetrante, documentário faz uma retrospectiva do século 20, marcado por guerras, tecnologia e insanidades.
Ao iniciar o relato visual da história de seus personagens, o autor utiliza-se de imagens de sepulturas, e ao concluir o trabalho faz com que o telespectador perceba o significado do título do filme. Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos sugere que a morte iguala a todos, que o homem veio do pó e ao pó retornará independente de seus feitos no decorrer da vida.
Numa espécie de retrospectiva poética do século 20, Marcelo Masagão antecipa a comparação entre os seres humanos, procurando relatar com o mesmo grau de importância a vida de celebridades, como o bailarino Nijinski, o ator Fred Astaire e o jogador de futebol Garrincha, com pessoas absolutamente comuns, como uma empacotadora de cigarros, trabalhadores industriais e garimpeiros de Serra Pelada. Assim, busca uma conscientização do telespectador da importância de cada indivíduo para a história. Todos se completam e são totalmente dependentes entre si assim entra o fenômeno corpo que independente do ser o que realmente somos e o que fazemos com o nosso corpo assim diz Maurice Merleau-Ponty, O corpo é o nosso "ponto de vista sobre o mundo". Eu não tenho um corpo. Sou um corpo.
“Corpo, a beleza do cosmos é dada não só pela unidade na variedade, mas também pela variedade na unidade.” (Eco, 2003, p. 24) O corpo. Fenômeno amplamente discutido já pelos grandes filósofos gregos, e que ainda hoje presente nos mais diferentes contextos. Mas de que forma será que os conceitos atuais diferem daqueles dos antigos filósofos? Platão (1972, p.74) indagava que:
Nada como o corpo e suas concupiscências para provocar o aparecimento de guerras, dissensões, batalhas; com efeito, na posse de bens é que reside a origem de todas as guerras, e, se somos irresistivelmente impelidos a amontoar bens, fazemo-lo por causa do corpo, de quem somos míseros escravos! Por culpa sua ainda, e por causa de tudo isso, tem preguiça de filosofar.
ISSO NÓS FAZ VOLTAR A QUESTÃO O QUE É EDUCAÇÃO FÍSICA, QUE ENTRA NA VISÃO DO CORPO BELO E AQUI NÓS TEMOS UM PONTO DE VISTA DE UMA TOTALIDADE DO CORPO.
O filme não se restringe somente a uma retrospectiva, mas também à busca incessante dos sonhos e ideal do ser humano. Alguns se limitam à simples questão da sobrevivência, como operários que trabalham em indústrias automobilísticas, mas que jamais tiveram condições de possuir um automóvel. Outros comprovam a onipotência humana, como o pintor com a roupa especial para encontrar-se com Deus, ou ainda o alfaiate francês imitando um pássaro e lançando-se da Torre Eiffel, imagem que se funde com a explosão de um ônibus espacial americano. Torna-se explícito o egoísmo humano, o desejo de conquistar o inconquistável e, apor meio de sobreposição de imagens, o telespectador é direcionado a conhecer o pensamento dos personagens.
Isso nos permitiu relacionar esse filme com o Johan huizinga do jogo e a guerra e que no seu pensamento O estudo que consideramos acentua também a ligação entre o jogo e a guerra. Falta pouco para Afirmar que o jogo, e o impulso humano para jogar, estão na origem de toda experiência humana, Pois aparentemente tudo o que os homens fazem, empreendem e constroem está marcado pelo Jogo, por certo regramento consentido socialmente, pelo impulso de competição e, quem Sabe, pelo prazer do embate e da concorrência.
No filme mostra que num decorrer da guerra envolvia muito a questão da religião que influenciou os grandes conflitos mundiais entra no jogo e a guerra e o corpo como elementos cruciais dos combates assim tendo um pensamento cartesiano aonde o corpo e um mero objeto e se torna através dos anos sendo mecânico, sendo substituído pelas as máquinas, assim não só a religião mais a própria cultura, assim com cita huizinga, A identificação platônica entre o jogo e o sagrado não desqualifica este último, reduzindo-o ao jogo,Mas, pelo contrário, equivale a exaltar o primeiro, elevando-o às mais altas regiões do espírito.
Dissemos no início que o jogo é anterior à cultura; e, em certo sentido, é também superior, ou pelo Menos autônomo em relação a ela. que o jogo faz parte da guerra, porque a um tempo e um espaço definido.
Johan Huizinga
Os homens criam as ferramentas, as ferramentas recriam os homens.
Infelizmente a irracionalidade das guerras não deixa de fazer parte das imagens do século, a vaidade humana em busca de poder e glória. Digo irracionalidade porque as guerras são iniciadas por aqueles que nunca carregaram um fuzil ou explodiram uma bomba na cabeça de outro, homens que ficam em seus escritórios ventilados no verão e aquecidos no inverno, com a barriga cheia, contando as baixas do exército inimigo ou encaminhando os mortos a seus parentes, achando ainda que façam um grande serviço: aqui vai um herói, que perdeu a vida lutando bravamente pela liberdade do mundo. Os versos do soldado Kato Matsuda, morto em 1945, representam com dignidade essa visão do absurdo das batalhas.
Papai, mamãe, me desculpem por ser um filho ingrato.
Não há pior desgraça do que um filho
morrer antes dos pais, isso foge à ordem
natural das coisas.
No meu silêncio já refleti muito sobre
o sentido e a finalidade desta guerra.
Mas estar aí junto a vocês seria
uma grande humilhação...
E a tela continua sendo bombardeada com imagens que resgatam a memória do século, com uma melancolia ressaltada pela trilha sonora, mas também com momentos que sugerem um certo otimismo em relação ao futuro. A busca da felicidade é o objetivo que melhor traduz o que deveria ser a essência da existência humana, mas será que a felicidade existe?
Referências bibliográficas
• CRITELLI, Dulce Mara. Para Recuperar a Educação. In: Martin Heidegger, todos nós ninguém: um enfoque fenomenológico do social. São Paulo: Moraes, 1981. p. 59-72.
• ECO, U. O nome da rosa. São Paulo: O Globo, 2003. (Série Biblioteca Folha).
• MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
• PLATÃO. Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 1972. (Coleção Os Pensadores). p.
• SÉRGIO, M. Ciência da motricidade humana. In: COLÓQUIO DE PESQUISA QUALITATIVA EM MOTRICIDADE HUMANA, 2003, São Carlos, Anais...São Carlos: 2003.
Huizinga, Johan (1999). Homo Ludens. São Paulo, perspectiva.




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